segunda-feira, julho 25, 2016

Preparando pessoas para a sociedade 4.0

Por Marcelo Freitas



Um dos objetivos da escola, e talvez o principal deles, é preparar as pessoas para a vida adulta. Estabelecer pontos de referência em relação aos diversos saberes, socializar para a vida em comunidade, desenvolver competências para o universo do trabalho são colunas que devem sustentar a estrutura de uma boa escola. Foi-se o tempo em que dela era esperado apenas o repasse de um inesgotável volume de conteúdos e a padronização de uma série de habilidades e conhecimentos, demandados por uma sociedade com as características da era pós-revolução industrial.

As mudanças sociais e econômicas, a integração do mundo em um único bloco e a explosão das novas tecnologias trataram de mudar toda a paisagem. Conexão virou a palavra que define o modo como pessoas, e coisas, estabelecem relações, sejam comerciais, sejam afetivas, sejam sociais ou funcionais. Se por um lado a tecnologia encurtou distâncias entre os povos, ela também criou elos, ou conexões, entre pessoas e máquinas. E é cada dia maior a maneira pela qual essas conexões se expandem, chegando agora à chamada “internet das coisas”.

Esse novo ambiente, onde a rápida automação de processos se une à internet das coisas, promete mudar radicalmente a maneira como fazemos nossas atividades. E na indústria isso acontece com um impacto ainda maior. Com robôs cada vez mais participativos no processo, a exigência de profissionais qualificados crescerá assombrosamente. Estaremos diante de uma nova sociedade e, portanto, é preciso pensar rapidamente o papel da escola e como ela lida com isso.

Para começar é importante estabelecer um paradigma novo em relação ao perfil dos alunos que ela deverá formar e dos especialistas que irá demandar. Na chamada indústria 4.0, será exigido dos profissionais o desenvolvimento de uma visão multidisciplinar para lidar com a manufatura avançada, que deve revolucionar as linhas de montagem e gerar produtos inovadores e customizados em um futuro próximo. Como preparar os alunos para isso? Qual perfil de profissional a escola deverá desenvolver?

Em escala crescente, técnicos deixarão de exercer funções repetitivas, como o encaixe de uma peça em um smartphone, passando a se concentrar em tarefas mais estratégicas e no controle de projetos. Essa situação significa uma tendência de aumento no número de pessoas com alta qualificação no mercado. Qualificação essa vai do preparo técnico ao desenvolvimento de novos perfis de liderança, capazes de deixar de lado o controle de horas de trabalho e indicadores de produtividade hoje existentes, para se concentrar na capacidade de geração de resultados e valor agregado, por parte das equipes lideradas.

Esse novo cenário marcado pela manufatura avançada representa um renascimento das próprias indústrias. Isso significa que elas voltarão a ter um ambiente desafiador, muito propício ao espírito empreendedor e inovador dos jovens em formação. Esse novo ambiente apresenta um conjunto de fatores altamente atraentes para a nova geração, pois implica entender a convergência entre informação, TI, eletrônica e hardware, ingredientes que mexem com a cabeça desses jovens da geração digital.

A internet das coisas, portanto, estará presente nos diversos ambientes, da casa ao trabalho, passando pelo entretenimento, tratamentos de saúde e ambientes de aprendizagem. Quem quiser ocupar o seu espaço deverá se preparar. Para ser empregado nas fábricas do futuro, por exemplo, os profissionais deverão desenvolver novas habilidades com vistas ao aumento da produtividade, como aprender a trabalhar lado a lado com robôs colaborativos. Isso significa dizer que o profissional não ocupará apenas uma parte específica da linha de montagem, mas se envolverá em todo o processo produtivo, o que demandará o exercício de tarefas e funções mais complexas e criativas. Daí a necessidade da escola se concentrar em desenvolver nos seus alunos, a capacidade analítica para cruzar dados e tomar decisões a partir de informações fornecidas por máquinas e aplicativos, em tempo real.

Por isso mesmo é importante, senão vital, que ela esteja preparada e aberta às mudanças, tenha flexibilidade para se adaptar à nova realidade e se habitue a uma aprendizagem multidisciplinar contínua. Isso não significa que o conhecimento técnico perdeu importância no currículo. Apenas que ele não é suficiente. Conceitos e espaços limitados, como no tempo da revolução industrial, não sobrevivem “a uma consulta no Google”. É preciso trabalhar o desenvolvimento de competências, portanto, em diversas frentes. Os educadores precisam gostar de tecnologia, de inovação e, principalmente, ter curiosidade para aprender e acompanhar uma sociedade que sempre se reinventa a cada momento.

As atividades hoje, e mais ainda no futuro, transcendem, portanto, os limites da sala de aula. Esta, aliás, deve ser completamente esquecida da forma como a temos hoje. É importante recriar esse espaço e ampliar as conexões com o ambiente virtual, familiar e do trabalho, de modo a produzir sinergia.  Criar ambientes que reflitam a realidade fora da escola. Além da arquitetura, dos processos e do design do ambiente, ferramentas que unam escolas, alunos, famílias e aprendizagem precisam ser embarcadas nesse processo, o quanto antes. Afinal, saber se comunicar, interagir e colaborar são habilidades cada vez mais demandadas.

De olho nessa perspectiva de longo prazo, buscando auxiliar as escolas a pensar nisso com mais profundidade e estabelecer uma conexão com a nova realidade, uma parceria entre o Movimento Escola Responsável e a Corporate Gestão Empresarial está criando a SAPIENS, uma divisão voltada para o desenvolvimento de soluções criativas e inteligentes para os diversos processos educacionais e de gestão das escolas, sempre tendo como foco a melhoria dos resultados das instituições. Do realinhamento dos processos à criação de aplicativos e soluções tecnológicas, todos os caminhos da SAPIENS conduzem à transformação da escola em um espaço novo e atraente, que permita aos alunos desenvolver todo o seu potencial de crescimento. Além disso existe, na SAPIENS, uma grande preocupação com a sustentabilidade, onde cada inovação valoriza ideias que permitam atender as expectativas de gestores, educadores, alunos e famílias em relação ao desempenho e resultados esperados.

Já estamos inseridos em uma nova era. O ambiente se modificou e as demandas estão caminhando a passos largos na direção de novas competências, novas formas de relacionamento entre as instituições, entre a escola e seus diversos públicos e, por isso mesmo, as velhas ferramentas e modelos de negócios já não lhe garantem a sustentabilidade necessária. Conexão é a palavra de ordem. Inovação e criatividade o combustível.




[1] Conheça o Movimento Escola Responsável: www.escolaresponsavel.com
[2] Para conhecer as áreas de atuação da Corporate, acesse www.corporateconsultoria.com
[3] Entenda o que é a SAPIENS acessando o site da Corporate: www.corporateconsultoria.com

2 comentários:

laize enes de lima silva disse...

É de artigos desse poste que precisamos ler todos os dias, parabéns Marcelo. Penso que é exatamente isso que precisa e deve ser feito.

Marcelo Freitas disse...

Obrigado Laize. Muito bom receber sua contribuição. Continue nos acompanhando e participando. Abraço.